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domingo, 12 de julho de 2026

Carros elétricos avançam com impulso da alta dos combustíveis



 Os emplacamentos de carros elétricos no Brasil somaram 35.356 unidades em março de 2026, quase três vezes o volume registrado no mesmo mês de 2025, quando foram contabilizadas 14.380 unidades, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O avanço também foi observado em janeiro e fevereiro, indicando aceleração da demanda no início deste ano.

Na avaliação de Rodrigo Oliveira, gerente de produtos para energias renováveis da Fluke, companhia líder mundial em ferramentas de teste e medição, o movimento reflete uma combinação entre fatores conjunturais e estruturais, com destaque para a alta recente dos combustíveis fósseis, a evolução tecnológica dos veículos e a ampliação da infraestrutura de recarga.

“O interesse por carros elétricos ganhou força com a pressão sobre os combustíveis, mas essa mudança vem sendo construída há mais tempo, com avanços em tecnologia e maior confiança do consumidor”, afirma Oliveira, em artigo sobre o tema.

Inflação dos combustíveis impulsiona carros elétricos

De acordo com o especialista, o recente conflito entre Estados Unidos e Irã agravou a percepção de risco em torno dos combustíveis fósseis. Entre fevereiro e abril de 2026, o preço da gasolina subiu cerca de 7,5% no Brasil. No mesmo período, o diesel registrou altas de 22,8% no S500 e 24% no S10, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Para Oliveira, esse ambiente aumentou a atratividade dos veículos elétricos como alternativa de menor exposição à volatilidade do petróleo, especialmente em um mercado no qual o custo de abastecimento pesa cada vez mais na decisão de compra.

Levantamento da Global EV Alliance citado pelo executivo mostra que 62% dos proprietários de carros elétricos no Brasil apontam a economia com recargas como principal fator de decisão.

Infraestrutura de recarga sustenta crescimento

Segundo o especialista, o aumento da demanda por veículos elétricos não pode ser explicado apenas pela alta dos combustíveis. A expansão da infraestrutura de recarga é apontada como um dos pilares da nova fase do mercado.

Dados da ABVE mostram que o Brasil alcançou 21.061 eletropostos até fevereiro de 2026, alta de 42% em 12 meses. Já os postos de recarga rápida mais do que dobraram ao longo de 2025 e passaram a representar 31% da rede total.

Oliveira observa que essa expansão melhora a experiência do consumidor e reduz parte das barreiras associadas à autonomia dos veículos. Ainda assim, o executivo ressalta que a infraestrutura brasileira segue em desenvolvimento e demanda atenção crescente à segurança, ao comissionamento e à manutenção dos sistemas de recarga.


Recarga doméstica e energia solar ganham relevância

Outro vetor destacado por Oliveira é o avanço da recarga residencial, com maior acesso a equipamentos como wallboxes, além da expansão da geração fotovoltaica no país.

Segundo a Global EV Alliance, 86% dos motoristas brasileiros de carros elétricos realizam recargas diariamente ou semanalmente. Esse comportamento ganha relevância em um cenário no qual cerca de 3 milhões de residências já produzem energia solar por meio de micro e minigeração distribuída, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Na avaliação do especialista da Fluke, a combinação entre mobilidade elétrica e geração solar doméstica reforça o apelo econômico da eletrificação, embora ainda existam limitações estruturais, principalmente em áreas urbanas verticalizadas.


Movimento vai além do efeito geopolítico

Para Rodrigo Oliveira, a alta recente dos combustíveis ajuda a acelerar a intenção de compra, mas não explica sozinha a trajetória de expansão dos carros elétricos no Brasil.

“O cenário geopolítico funciona como um gatilho, mas a base desse crescimento está nos avanços tecnológicos e na evolução da infraestrutura”, afirma o executivo no artigo.

Segundo ele, a tendência é que o debate sobre mobilidade elétrica avance para temas como eficiência, confiabilidade e capacidade das redes de recarga de atender a uma frota em expansão.

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