O varejo brasileiro está mudando de endereço. Se durante décadas crescer significava abrir lojas e ocupar ruas e shoppings, agora parte importante da batalha pelo consumidor acontece na tela do celular. E cinco gigantes do setor já sentiram essa transformação: casas Bahia, Americanas, Carrefoour Marisa e Magazine Luiza reduziram, juntas, mais de 1,1 mil lojas físicas desde o fim de 2022.
Os números são de levantamento da Broadcast, com base nos balanços das próprias empresas, e revelam uma mudança profunda no setor, pressionado por juros altos, crédito restrito, endividamento e pelo crescimento acelerado dos marketplaces.
A Casas Bahia protagoniza um dos casos mais expressivos. A companhia tinha 1.133 lojas no fim de 2022 e chegou a junho deste ano com 1.034. Em agosto, anunciou o fechamento de outras 298 unidades como parte de sua reestruturação. Caso o plano seja concluído, serão cerca de 400 pontos eliminados em menos de quatro anos. A empresa enfrenta recuperação judicial envolvendo R$ 17,3 bilhões em dívidas.
A Americanas também encolheu depois da crise contábil revelada em 2023. A rede passou de 1.803 lojas, no fim de 2022, para 1.470 em dezembro de 2025 — 333 unidades a menos.
No Carrefour, a rede caiu de 1.203 para mil lojas durante o processo de integração do Grupo BIG. Já a Marisa passou de 334 para 230 estabelecimentos em três anos.
O Magazine Luiza reduziu sua estrutura de 1.339 para 1.246 lojas. Diferentemente das demais, porém, o Magalu já sinalizou uma retomada das inaugurações. No segundo trimestre deste ano, as vendas nas lojas físicas cresceram 10,3%, enquanto o e-commerce da companhia caiu 11,9%.
Batalha agora também é na tela
Varejo físico perde espaço para o e-commerce
Enquanto grandes redes fecham portas, o comércio eletrônico avança. Em 2025, as vendas online movimentaram R$ 423 bilhões no Brasil, crescimento de 21%, e responderam por 14,4% de todo o varejo, segundo estimativas do UBS BB.
Mercado Livre liderava o setor com 43% do mercado, seguido por Shopee (18%), Amazon (11%) e Magazine Luiza (10%). Para este ano, a expectativa é que as vendas digitais alcancem R$ 518 bilhões.
Mas o movimento não significa a morte das lojas físicas. Assaí, Grupo Mateus, C&A e Grupo Renner, por exemplo, ampliaram suas redes desde 2022.
O que mudou foi a lógica: manter uma loja que não dá retorno ficou caro demais. Aluguel, funcionários, estoque e capital de giro passaram a pesar ainda mais diante da concorrência digital.
A vitrine, portanto, não morreu. Mas agora divide espaço com outra muito maior — e que cabe na palma da mão.

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