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sábado, 10 de janeiro de 2026

Morre Manoel Carlos, um dos maiores autores de novela do Brasil

 


O autor Manoel Carlos, um dos principais escritores de novela da televisão brasileira, morreu neste sábado (10), aos 92 anos. Famoso por tramas que representavam a sociedade carioca, especialmente o bairro do Leblon, ele criou sucessos como Por Amor (1997), Laços de Família (2000) e Mulheres Apaixonadas (2003).

A morte foi confirmada no perfil do Instagram da produtora Boa Palavra, responsável pelo legado de Manoel Carlos e detentora de seus direitos autorais. "É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, carinhosamente conhecido como Maneco, ocorrido hoje [10], aos 92 anos", informou a conta.

Fãs não terão a oportunidade de se despedir do autor pessoalmente em uma última homenagem. "O velório será fechado a restrito à família e a amigos íntimos. A família agradece as manifestações de carinho e solicita respeito e privacidade neste momento delicado", ressaltou a nota.

Conhecido carinhosamente como Maneco, ele começou sua carreira em 1953, como autor e diretor do Grande Teatro Tupi, programa da extinta TV Tupi. Na década de 1960 e 1970, dirigiu e produziu programas clássicos da TV brasileira, como Família Trapo (entre 1967 e 1971), O Fino da Bossa e o Fantástico (entre 1973 e 1976).

Ainda na década de 1950, Manoel Carlos escreveu suas primeiras novelas, todas para a TV Paulista: Helena (1952), Nick Chuck (1952) e Iaiá Garcia (1953). Helena nada tinha a ver com as protagonistas chamadas Helena que ele desenvolveu mais adiante em sua carreira. Tratava-se de uma adaptação do romance Helena, de Machado de Assis.

Em 1978, estreou na Globo como autor de duas novelas: Maria, Maria e A Sucessora. A segunda, com Susana Vieira como mocinha e Natpalia Timberg como vilã, foi um sucesso e um marco para a teledramaturgia da época. 

Na sequência, Carlos foi colaborador de Gilberto Braga em Água Viva (1980) e logo depois escreveu Baila Comigo (1981). Esta novela ficou marcara por ter a primeira "Helena de Maneco", a primeira protagonista chamada Helena, tradição que ele levaria até o fim de sua carreira. A Helena inaugural foi interpretada por Lilian Lemertz. 

Em 1982, Manoel Carlos foi autor de Sol de Verão, mas não chegou a terminar a novela. O ator protagonista, Jardel Filho, morreu de ataque cardíaco, quando faltavam apenas vinte capítulos para o fim da trama. O autor, que também era amigo de Jardel Filho, não conseguiu continuar o trabalho, que foi finalizado por Lauro César Muniz e Gianfrancesco Guarnieri. 

Nos anos seguintes, Manoel Carlos trocou a Globo pela Manchete, e lá escreveu a minissérie Viver a Vida (1984) e a novela Novo Amor (1986). Também trabalhou na Band, para onde escreveu a minissérie O Cometa (1989). 

Voltou para a Globo em 1991 e deu continuidade à linhagem de Helenas. Escreveu naquele ano a novela Felicidade, com Maitê Proença como protagonista. 

Em 1995, foi o autor de História de Amor, com Regina Duarte no papel de Helena --a primeira das três que ela viria a interpretar. A novela teve a sinopse modificada após determinação do ministério da Justiça, que considerou a trama de mãe e filha apaixonadas pelo mesmo homem inadequada para o horário das 18h. 

A partir de então, Manoel Carlos teve seus maiores sucessos na TV. Em 1997, lançou Por Amor, com regina Duarte novamente como Helena, na trama de uma mãe que troca seu bebê vivo pelo bebê morto de sua própria filha. Em 2000, estreia Laços de Família, com Vera Fischer como Helena. A trama teve grande repercussão com a filha roubando o namorado da mãe e com o drama do câncer de Camila (Carolina Dieckmann).

Já em 2002, foi ao ar Mulheres Apaixonadas. Christiane Torloni foi a Helena da vez, e as tramas paralelas ganharam mais destaque --como a da violência doméstica e a do casal formado por duas adolescentes.

Em 2001, o autor ainda fez Presença de Anitta, minissérie com teor erótico que deu grande audiência na época. Carlos também fez o roteiro da série Malu Mulher (1979-1980) e da minissérie Maysa: Quando Fala o Coração.

Em 2006, ele escreveu Páginas da Vida, em que Regina Duarte atuou como sua última Helena, mulher que adotava uma menina com síndrome de Down que havia sido rejeitada. Já em 2009, em Viver a Vida, o autor dá a Taís Araújo a personagem principal, a primeira Helena negra. A trama, no entanto, não funcionou. A personagem foi rejeitada pelo público, e a própria atriz não se orgulha do papel. 

A última novela da carreira do autor foi Em Família (2014), com Bruna Marquezine e Júlia Lemmertz interpretando o papel de Helena (Bruna na fase adolescente, Júlia na fase madura). O folhetim foi um fracasso de audiência e de crítica.

Desde então, Manoel Carlos vivia recluso em sua casa, no Rio de Janeiro. EAo longo de sua vida, ele teve cinco filhos, e três morreram antes do pai: Ricardo de Almeida em 1988, por complicações do vírus HIV; Manoel Carlos Júnior em 2012, de ataque cardíaco, e Pedro Almeida em 2014, após um mal súbito. 

O autor deixa duas filhas vivas, a roteirista Maria Carolina e a atriz Júlia Almeida, que atuou em todas as novelas do pai entre Felicidade e Mulheres Apaixonadas.


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