quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Momento mais triste da vida’: o relato da mulher que denunciou o namorado por transmissão intencional de HIV em RO



Maria* tinha rotina ativa de exercícios físicos que foi abruptamente interrompida por febres, dores intensas e um cansaço inexplicável. A rápida perda de saúde foi o primeiro sinal de uma violência silenciosa praticada dentro de sua própria casa: ela foi infectada propositalmente com o vírus HIV pelo então namorado, o dentista Jean José Dunga, de 41 anos, morador de Porto Velho.


“Com certeza posso afirmar que foi o momento mais triste e mais difícil da minha vida”, lamenta.

*Para proteger a identidade da vítima, que teme o estigma social e a exposição de sua família, ela será identificada nesta reportagem pelo nome fictício de Maria. A identidade do acusado é real.


➡️ O diagnóstico resultou em um inquérito policial e, posteriormente, em uma denúncia à Justiça. Em agosto, Jean recebeu uma pena de cinco anos e também foi condenado a pagar uma indenização de R$ 50 mil à vítima, com possibilidade de recorrer da decisão. Ele responde ainda a outros processos pela mesma acusação.


O acusado foi preso no dia 10 de junho, mas passou a cumprir a pena em regime semiaberto após a condenação. Nesta semana o Ministério Público de Rondônia (MP-RO) pediu à Justiça uma nova prisão preventiva em regime fechado alegando o risco iminente de novas contaminações. O pedido foi acatado na quarta-feira (9).


🔎 As investigações contra o réu nasceram a partir dos acolhimentos feitos nas salas do Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit) do MP-RO. O órgão acusou Jean de transmitir intencionalmente o vírus HIV a pelo menos quatro mulheres e afirma que é possível que existam outras vítimas ainda não diagnosticadas.


A tentativa de ocultar a doença


Maria e Jean se conheceram em um site de relacionamentos e rapidamente começaram a namorar. Ela conta que ele era gentil, agradável, estava sempre de bom humor e tinha muitas histórias para contar. A forte conexão fazia com que passassem muito tempo juntos.


Mas o “paraíso” durou pouco. Os sintomas do vírus apareceram rapidamente: infecções que não passavam mesmo com uso de antibiótico, dores no corpo



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