Brasileiro é deportado de
Portugal e descobre, ao chegar ao Brasil, que pedido para permanecer no país havia sido aceito
O brasileiro Kauê Matos, de 19 anos, foi deportado de Portugal porque, quando ainda era menor de idade, não conseguiu solicitar autorização para viver no país pelo reagrupamento familiar. O pedido foi impedido pela demora de dois anos na regularização migratória de seus pais.
Kauê já vivia havia dois anos em Portugal com os pais e o irmão mais novo. No mês passado, ao voltar de um intercâmbio na Irlanda, ele foi detido no aeroporto de Lisboa quando tentava retornar para casa. Segundo o jovem, foram quatro dias em uma sala com outros imigrantes, sem poder tomar banho. Ele passou os dois primeiros dias sem ver a família.
Em entrevista ao g1, o jovem descreveu o local onde ficou. Ele disse que as camas, parecidas com macas de hospital, eram “extremamente sujas”.
Kauê relata que eles faziam as refeições do dia, mas a sala cheirava mal e até as cobertas disponibilizadas estavam sujas. No primeiro dia, ele conta que preferiu dormir em uma cadeira.
Entenda o caso
Em 2024, quando chegaram em Portugal, a família deu entrada no processo de “manifestação de interesse”, um mecanismo português legal que permitia cidadãos estrangeiros entrarem no país como turistas e, após conseguirem um contrato de trabalho ou iniciar atividade independente que contribuísse para a Segurança Social, pedirem a regularização e a autorização de residência.
No entanto, o processo que deveria levar 90 dias, levou dois anos.
Na época, Kauê tinha 17 anos e após os pais conseguirem o visto, poderiam entrar com o processo de “agrupamento familiar” que é o direito que um cidadão estrangeiro com uma autorização de residência válida tem de trazer os familiares para morar legalmente no país.
A decisão judicial que autoriza a mãe dele a viver legalmente no país saiu somente no começo deste ano e a do pai no dia em que o filho foi detido pelos agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP).
Com a demora da liberação dos documentos, Kauê atingiu a maioridade e por isso, o pedido de “agrupamento familiar” já não era mais uma opção.

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