O secretário de Gestão Governamental de João Pessoa, Rougger Xavier Guerra Júnior, está entre os alvos da Operação Cítrico, deflagrada na manhã desta terça-feira (14) pela Polícia Federal, em ação conjunta com o Ministério Público da Paraíba, por meio do GAECO, e a Controladoria-Geral da União (CGU). A investigação apura a suposta atuação de uma organização criminosa voltada à fraude em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e possível financiamento de facção criminosa com atuação em Cabedelo.
Segundo a investigação tornada pública nesta manhã, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, além de outras medidas cautelares, entre elas o afastamento do atual prefeito de Cabedelo e de outros servidores públicos. De acordo com a força-tarefa, a apuração indica que contratos administrativos teriam sido usados como instrumento de manutenção de poder, influência territorial e blindagem institucional, em um esquema cujo valor pode chegar a R$ 270 milhões.
De acordo com informações da cautelar citada no curso da investigação, Rougger não é descrito como integrante direto da facção criminosa, mas como peça do chamado núcleo político-empresarial sob apuração. Nesse desenho investigativo, ele seria apontado como articulador e elo entre empresas citadas no inquérito e agentes públicos ligados à estrutura municipal de Cabedelo.
A linha investigativa sustenta que esse núcleo teria atuado para viabilizar a entrada e a permanência de empresas no aparelho estatal, dar fluidez ao direcionamento contratual e conectar interesses de operadores privados e agentes públicos. No centro da apuração aparece a empresa LEMON Terceirização e Serviços Ltda., citada como uma das estruturas usadas no suposto esquema.
A nota divulgada sobre a Operação Cítrico afirma que o grupo investigado teria se valido da contratação fraudulenta de empresas fornecedoras de mão de obra vinculadas à facção “Tropa do Amigão”, apontada como braço do Comando Vermelho, com infiltração de faccionados em estruturas da Prefeitura de Cabedelo e circulação de recursos públicos em favor do crime organizado.
A força-tarefa afirma ainda que os fatos apurados poderão ensejar responsabilização por crimes como frustração do caráter competitivo de licitação, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento de organização criminosa, sem prejuízo de outros ilícitos eventualmente identificados ao longo das investigações. Até o momento, o que existe é investigação em curso e medidas cautelares, sem julgamento definitivo sobre o mérito das acusações.
O espaço permanece aberto para manifestação de Rougger Guerra e de sua defesa.

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