No mês em que o Brasil reforça a conscientização sobre a importância da doação de órgãos, um dos principais desafios para ampliar o número de transplantes continua dentro das próprias famílias. Em 2025, o país registrou 15.940 potenciais doadores, mas apenas 4.335 se tornaram doadores efetivos. Entre as famílias entrevistadas, 4.200 não autorizaram a doação, o equivalente a 45% das entrevistas realizadas, segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
Os números ajudam a dimensionar um dos principais gargalos do sistema de transplantes brasileiro: a decisão familiar. Mesmo quando existe um potencial doador, a autorização dos parentes é indispensável para que os órgãos possam ser destinados a pacientes que aguardam por um transplante.
O cenário ganha ainda mais relevância durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos. A campanha busca estimular a conversa sobre o tema ainda em vida, para que a família conheça a vontade de seu familiar e esteja mais preparada para tomar uma decisão em um momento de extrema dor.
No Brasil, a taxa média de recusa familiar gira em torno de 45%, mas o índice pode variar entre estados e até entre hospitais. Isso mostra que a questão não está relacionada apenas ao conhecimento da população sobre a importância dos transplantes. A maneira como o processo é conduzido dentro das instituições de saúde também pode influenciar a decisão das famílias.
Para o presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), Cristiano Franke, muitos pacientes chegam a manifestar em vida o desejo de doar seus órgãos e algumas famílias também demonstram disposição para respeitar essa vontade. O problema, segundo ele, é que nem sempre os familiares recebem as informações necessárias de forma adequada.
“Muitas vezes as famílias não recebem todas as informações adequadamente, no momento e com um protocolo adequados para tomarem a melhor decisão.








