Uma mobilização coordenada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) levou apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às redes sociais na manhã deste sábado (17). A ação, organizada pelo canal de WhatsApp “Exército do Lula”, convocou os participantes a publicar, simultaneamente às 9h, fotos usando a camisa do Brasil, as cores verde e amarela e fazendo o gesto do “L” com a mão.
A iniciativa foi apresentada por Janones como uma das principais “missões” do grupo nesta reta final do segundo turno. O objetivo declarado pelo deputado é disputar também o uso dos símbolos nacionais, especialmente a camisa da Seleção Brasileira e as cores da bandeira, fortemente associadas nos últimos anos a manifestações da direita e do bolsonarismo.
Pouco depois do horário marcado, uma sequência de publicações começou a aparecer no Instagram e em outras plataformas. As hashtags #OVerdeAmareloENosso, #BrasilInteiro e #RetomamosNossasCores chegaram aos assuntos mais comentados do X durante a mobilização. O próprio perfil de Lula aderiu à ação e publicou uma imagem do presidente usando a camisa da Seleção.
A mobilização foi organizada a partir do “Exército do Lula”, canal administrado por Janones que se tornou uma das principais ferramentas digitais de apoio ao presidente neste segundo turno. O espaço, que tinha cerca de 50 mil integrantes antes da reta final da campanha, ultrapassou 4 milhões de participantes e já se aproxima dos 5 milhões, segundo reportagens publicadas nesta semana.
Em um áudio enviado aos integrantes do canal, Janones afirmou que a intenção era estimular a retomada dos símbolos nacionais por apoiadores de Lula.
“O verde e amarelo é nosso”, afirmou o deputado ao orientar a mobilização deste sábado.
A ação acontece um dia depois de outra mobilização organizada pelo mesmo canal. Na noite de sexta-feira (16), Janones convocou um panelaço durante a entrevista de Flávio Bolsonaro à TV Globo. Foram registrados protestos em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, Goiânia e Brasília.
O crescimento do “Exército do Lula” também passou a chamar atenção de pesquisadores de redes sociais e da própria Justiça Eleitoral.
Levantamento da empresa Datrix, divulgado neste sábado, apontou que a expansão do canal coincidiu com uma melhora nos indicadores digitais da campanha de Lula. Entre o primeiro turno e 13 de outubro, o grupo saltou de aproximadamente 50 mil para mais de 4 milhões de inscritos, ao mesmo tempo em que aumentaram as interações e o número de seguidores nos perfis do presidente. A correlação, no entanto, não prova que o canal tenha sido sozinho responsável pela mudança.
O grupo também esteve no centro de uma disputa no Tribunal Superior Eleitoral. Depois de decisões contraditórias sobre sua suspensão e funcionamento, o canal foi restabelecido e, nesta sexta-feira (16), o TSE autorizou que ele fosse desvinculado formalmente da campanha presidencial, mantendo Janones como responsável pela iniciativa.
A área técnica do próprio TSE analisou conteúdos publicados no canal entre os dias 2 e 11 de outubro e informou não ter encontrado notícias falsas no material examinado, embora tenha identificado linguagem considerada polarizadora e ressaltado o grande alcance da ferramenta.
Neste sábado, a estratégia ganhou uma nova etapa: transformar a enorme base reunida no WhatsApp em publicações simultâneas nas redes sociais.
Embora o canal reúna milhões de pessoas, não há, até o momento, um levantamento independente que permita afirmar que milhões efetivamente fizeram a postagem das 9h. O que está confirmado é que milhões foram convocados para a ação e que a mobilização gerou grande volume de publicações e levou as hashtags propostas pelo grupo aos assuntos mais comentados.

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