Depois de um dia intenso de trabalho, sentir-se cansado é esperado. O problema começa quando o descanso deixa de ser suficiente para recuperar as energias. Acordar já exausto, perder a motivação para atividades que antes faziam sentido, apresentar dificuldade para se concentrar e sentir que o rendimento caiu de forma significativa são sinais que podem indicar mais do que o desgaste da rotina. Em alguns casos, esses sintomas podem estar relacionados à Síndrome de Burnout, condição associada ao estresse crônico no ambiente de trabalho.
Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como um fenômeno ocupacional, a síndrome é caracterizada por três dimensões principais: sensação de esgotamento ou exaustão de energia; aumento do distanciamento mental ou sentimentos negativos em relação ao trabalho; e redução da eficácia profissional. O Ministério da Saúde destaca que o Burnout é resultado da exposição prolongada a situações de trabalho emocionalmente desgastantes.
O tema tem ganhado relevância diante do crescimento dos afastamentos por transtornos mentais no país. Dados da Previdência Social apontam um aumento expressivo nas concessões de benefícios por incapacidade relacionados à saúde mental nos últimos anos, refletindo uma realidade que impacta trabalhadores, empresas e o sistema de saúde. Especialistas avaliam que parte desse crescimento também está relacionada à maior conscientização sobre o diagnóstico e à procura por atendimento especializado.
Para a psicóloga e docente do curso de Psicologia da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Suzane Skura, um dos maiores desafios é justamente diferenciar o estresse esperado da rotina profissional de um quadro que pode evoluir para o adoecimento.
“O estresse faz parte da vida e, em muitos momentos, é até esperado. O Burnout, porém, acontece quando a pessoa permanece por muito tempo exposta a uma sobrecarga emocional e física sem conseguir se recuperar.

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